
Uma borboleta que se confunde com a Maravilha – Colias crocea – a Cleópatra da Madeira – Gonepteryx maderensis – é um pouco maior e mais vistosa.
A fêmea é mais clara que o macho, o seu amarelo é muito claro, enquanto que o macho possui um amarelo mais consistente que se mistura com o laranja nas asas superiores e com o esverdeado nas asas inferiores.
É uma espécie cujo habitat restringe-se às zonas de Laurissilva, mas não é incomum encontrar alguns exemplares em locais fora da dita Floresta, alimentando-se do néctar das flores, principalmente de Agapantos, mais conhecidos por Coroas de Henrique.
É considerada uma borboleta rara, mas as estatísticas podem estar enganadas pois muitos indivíduos desta espécie deixam-se estar no alto das árvores da Laurissilva, local onde preferem estar, talvez para não serem “incomodados”.
É mais abundante nos meses quentes do Verão e menos frequentes durante o resto do ano.
Quanto à alimentação, para além dos Agapantos – Agapanthus africanus – temos ainda o Sanguinho – Rhamnus glandulosa.
1 comentário:
Cara senhora,
Permita-me sugerir que corrija algumas imprecisões no seu texto. Em primeiro lugar, há que fazer uma distinção entre as plantas que fornecem néctar à borboleta adulta e a planta anfitriã (ou hospedeira) desta borboleta, a pequena árvore Rhamnus glandulosa (o sanguinho-da-madeira), essencial para a reprodução da borboleta. É no sanguinho que esta borboleta põe os ovos; a sua lagarta alimenta-se das folhas desta árvore. Quanto às flores visitadas pela borboleta, dá destaque, no seu texto, às flores do Agapanthus praecox, conhecido pelo nome de coroas-de-henrique. Ora, não deve fazer esta afirmação levianamente, pois esta planta é uma planta exótica introduzida, classificada como invasora, não fazendo, portanto, parte do coberto vegetal da ilha. Obviamente, a borboleta Cleópatra da Madeira já existia na ilha antes dos agapantos, chegados à Madeira em meados do século XIX. Daqui se deduz que há outras flores, indígenas que são as preferidas desta borboleta. O facto de haver muitos registos fotográficos da Cleópatra a visitar as flores dos agapantos prende-se com a circunstância de estas flores da África do Sul terem sido plantadas ao longo das estradas que atravessam a Laurissilva, usurpando o espaço onde vegetariam espécies autóctones, se não tivesse havido esta interferência humana. Se consultar a plataforma iNaturalist poderá ver fotos da Cleopátra a interagir com plantas endémicas, como o massaroco Echium candicans e o goivo-da-serra Erysimum bicolor. Também encontrei fotos que documentam visitas da borboleta às flores do til. A partir das fotos que encontrei online, organizei esta lista de plantas endémicas e nativas visitadas pela Cleópatra da Madeira:
Echium candicans – massaroco-da-madeira
Erysimum bicolor – goivo-da-serra
Teline maderensis – piorno
Argyranthemum pinnatifidum ssp pinnatifidum – estreleira
Argyranthemum pinnatifidum ssp montanum – estreleira
Phyllis nobla – cabreira
Espécies de Geranium.
Asteráceas várias.
Rubus (silvas)
Apiáceas como a Oenanthe divaricata e a rabaça Helosciadium nodiflorum
Flores do Til
Não é errado supor que ainda outras flores nativas características das clareiras e beiras de caminhos possam ser igualmente atraentes para estas borboletas, apesar da escassez de registos fotográficos comprovando tais interações. Enumerando apenas algumas hipóteses, as flores das leitugas Sonchus fruticosus, do cardo Cirsium latifolium, da erva-de-coelho, da quebra-panela (Bystropogon), da erva-branca (Teucrium francoi), da abrotona (Teucrium betonicum), da perpétua-branca e da couve-da-rocha (Sinapidendron rupestre) são certamente visitadas pela Cleópatra.
Quando referir as flores do agapanto ou de outras espécies exóticas e invasoras, deve fazer uma ressalva, referindo que são invasoras e que esta dieta pode estar a ter impactos ainda não estudados na longevidade, na produção de ovos, no número de posturas, na capacidade de voo, nas reservas lipídicas e na resposta imunitária destas borboletas. Com base em estudos feitos noutros países sobre outras borboletas, não há quaisquer dúvidas de que a regeneração da flora primitiva do local, incluindo a remoção e substituição de plantas invasoras beneficia as borboletas nativas. A população de Cleópatras está a decrescer e devíamos considerar todos os factores que estão a contribuir para este declínio. A presença de invasoras como as coroas-de-henrique é um dos principais, a par das mudanças climáticas e da perda de habitat. As invasoras introduzem um desequilíbrio grave no ecossistema e reduzem a diversidade floral adequada às borboletas nativas e endémicas.
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